Preciso conversar com você sobre um assunto que gera muito medo e muita culpa, e desfazer um nó que faz gente sofrer à toa.
Como eu trabalho com uma abordagem funcional integrativa, às vezes as pessoas chegam achando que eu sou “contra remédio”, que vou tirar a medicação de todo mundo, que integrativa é sinônimo de “natural, sem química”. Não é. E entender isso pode mudar a sua relação com o próprio cuidado.
Integrativa não é anti-remédio
Vou dizer da forma mais clara possível: integrativa significa somar, não subtrair. Somar o cuidado clínico, incluindo a medicação, quando ela é necessária, com o cuidado do estilo de vida, do corpo e do sentido.
O remédio, quando entra, é parte de um cuidado maior. Não é o cuidado inteiro (por isso a gente também olha sono, rotina, história), mas também não é um inimigo a ser evitado a qualquer custo. Demonizar a medicação faz tanto mal quanto tratá-la como solução única.
Precisar de remédio não é fraqueza
Ninguém acha que tomar insulina é “fraqueza” de quem tem diabetes. Ninguém julga quem usa remédio para a pressão. Mas quando o assunto é a mente, vem o peso: “eu deveria dar conta sozinha”, “vou ficar dependente”, “isso é muleta”.
Deixa eu te dizer com franqueza médica: em muitos casos, a medicação é o que devolve você a você. Ela pode baixar o volume de uma ansiedade que não deixa você viver, ou destravar uma depressão que roubou a sua energia, pra que você consiga, aí sim, trabalhar as causas e retomar a sua vida. Isso não é fracasso. É cuidado.
Os medos mais comuns, com a verdade
“Vou ficar viciada.” Os antidepressivos, por exemplo, não causam dependência do jeito que as pessoas temem. Eles são introduzidos e, quando chega a hora, retirados de forma gradual e planejada, sempre em consulta.
“Vou virar outra pessoa.” O objetivo do tratamento é justamente o contrário: te devolver a quem você é, sem o peso que a doença colocou por cima.
“Vou ter que tomar pra sempre.” Nem sempre. O tempo de tratamento é individual e reavaliado ao longo do caminho. Algumas pessoas usam por um período; outras se beneficiam de um uso mais prolongado. Isso se decide na consulta, com você, e nunca por conta própria.
O que eu nunca vou te dizer
Eu nunca vou te orientar a parar o seu remédio por conta própria, nem a começar um por indicação de internet. Interromper de repente pode ser perigoso, e ajustar medicação exige avaliação e acompanhamento. Se você tem dúvidas sobre a sua medicação, leve isso pra uma consulta, com calma. Essa é a hora e o lugar certos.
O lugar do remédio no seu cuidado
Então guarda isso com carinho: o remédio, quando é preciso, é cuidado, não fracasso. Mas é parte do caminho, não o caminho inteiro. O caminho inteiro é olhar você por completo, com ciência e com acolhimento, e caminhar junto. 🤍